Uma câmera fotográfica interposta entre duas pessoas pode significar muita coisa. Pode ser umabarreira ou um ponto de contato. Repelir ou aproximar. Me pergunto o que transforma a câmera
num elo de ligação? Imagino que dependa fundamentalmente da personalidade e do caráter de
quem está por trás dela. O diferencial é o humano: Disso tenho certeza.
Mas não é só isso: Arte é técnica. Pode parecer óbvio, mas é o fundamento. E se juntarmos a
essas duas características um senso estético apurado, uma cultura visual evolutiva e um olhar
poético cultivado? Seria o ideal, não?
Acredito que o trabalho do fotógrafo deva revelar de forma sutil, todas essas características.
Procuro ser essa profissional que vive a fotografia em tempo integral, e que emprega a técnica
e a linguagem para entender e revelar as pessoas para além da superfície e da aparência.
Para isso uso a luz, ângulos, o contraste, e - mais do que tudo isso, a escolha do momento
exato. Pois é ele ao final, que expõe os sentimentos, vivências, atitudes; em suma: a
personalidade de quem está frente a objetiva.
Pode parecer complicado ou elaborado demais, mas o que busco nas minhas fotos é um
resultado natural. Nem naturalista, nem realista. Natural. O real destilado pelo olhar com toda
carga e personalidade. Chegar à simplicidade é difícil, embora deva parecer fácil para quem vê.
Quando isso acontece se estabelece uma espécie de "magia do real", uma epifania: a foto
transcende a mera reprodução e chega a expressão.
Vim até aqui com bem menos de mil palavras. Mas algo me diz que é hora de passar às imagens...